O que poucos tratam mas acomete 50% dos pacientes oncológicos
Você sabe o que é caquexia? O termo caquexia é relacionado a uma perda de peso severa, não desejada, ou seja, provocada por uma doença. Mas caquexia tumoral não é somente isso. Siga a leitura para conhecer suas causas e aprender a lidar com tudo isso.
O que há além do emagrecimento exagerado?
- Perda de Massa Muscular
- Alterações metabólicas
- Ingesta alimentar insuficiente
- Inatividade
- Perda de apetite
- Saciedade Precoce
- Alterações de paladar
- Náusea crônica
- Angústia
- Fadiga
- Perda de concentração
Por que não basta tratar como emagrecimento
Porque a perda ponderal é apenas uma das manifestações de mudanças profundas e amplas que ocorrem no paciente com caquexia tumoral. Entender a caquexia como uma situação clínica mais complexa vai lhe ajudar a entender, por exemplo, que aumentar o número de calorias diárias ofertadas por si só é insuficiente para melhorar o quadro do paciente. Menos eficaz ainda é forçá-lo a comer. Por exemplo, se você simplesmente pedir para a pessoa afetada comer mais, se movimentar mais, ficar mais animada, ela não conseguirá agir desta forma, e não é porque ela não gostaria ou “não está se ajudando”. É porque existem motivos metabólicos e inflamatórios que impedem o seu corpo de agir neste sentido.
É como estar na reserva do combustível, precisamos andar mais devagar e exigir menos do motor para poupar energia e manter a máquina em funcionamento.
Em outras palavras, como o corpo funciona no estado de caquexia: ele direciona seu gasto de energia diário para a energia em repouso (aqui ele gasta mais do que o normal), e acaba poupando no estado de atividade.
Ok, entendi que se trata de algo mais complexo. Mas há como tratar?
Bem, tendo claro que a caquexia ocorre devido ao câncer, tratar a doença sempre que possível é uma das melhores formas de debelar estes sintomas. Reduzindo a carga tumoral, existe uma grande probabilidade de melhora. Mas o tratamento precisa ser delineado, customizado, individualizado para este momento de maior fragilidade.
Pacientes nesta situação apresentam suas reservas funcionais reduzidas, e de fato têm um risco maior de toxicidade relacionada aos tratamentos. Apresentam excesso de toxicidade e diminuição nas taxas de resposta, aumento de complicações cirúrgicas e do risco de vida. Além disso, experienciam pior de qualidade de vida se expostos a tratamentos não individualizados.
Desta forma, compreendendo os riscos envolvidos, é preciso que o médico oncologista oferte o tratamento para o câncer priorizando protocolos de menor risco. Isto pode ser feito, por exemplo, com ajustes de doses.
É crucial permitir que o paciente receba o necessário para combater o câncer sem impor maior sobrecarga a um estado de fragilidade.
Mas, além do tratamento da doença de base, existem várias outras abordagens importantes:
Avaliação Nutricional em todos os pacientes oncológicos ANTES de iniciar o tratamento

A nutricionista oncológica vai avaliar, além do peso corporal, a composição corporal com foco na Massa Muscular, a ingestão diária do paciente, o estado funcional e presença e grau de inflamação sistêmica.
Assim é possível e identificar a pré-caquexia, a caquexia avançada e a caquexia refratária.
O que priorizar na dieta?
Proteinas e calorias totais. Suplementos nutricionais podem ser indicados, mas devem ser avaliados pela equipe oncológica sempre. Nunca tomados por conta própria!
Na caquexia, as alterações metabólicas e inflamatórias dificultam a absorção e aproveitamento de energia, e nesta situação, dietas ricas em gorduras podem ajudar a melhorar o estado nutricional. É claro que não se trata de qualquer gordura, é preciso que a nutricionista possa orientar individualmente.
O objetivo é assegurar uma ingesta de energia e nutrientes através de comida normal, participação de refeições dentro da vida social e familiar do paciente.
Um dos principais objetivos é aumentar a massa muscular – altamente desejado! E para isso, é importante incluir alguma atividade física no tratamento. Portanto, a nutrição e atividade física, preferencialmente, devem andar juntas.
Temos que ficar de olho em outras condições que possam estar interferindo na ingesta!
- Náuseas e vômitos
- Dor
- Depressão e ansiedade
- Saciedade precoce
- Dor ou dificuldades para engolir.
Neste contexto, medicamentos sintomáticos podem trazer grande auxílio: a metoclopramida, por exemplo, aumenta o esvaziamento gástrico (ajudando na saciedade precoce) e diminui náuseas e vômitos, além de não causar constipação intestinal, que é um sintoma frequente e indesejado. Além disso, uma avaliação fonoaudiológica pode auxiliar o paciente nos problemas de deglutição, caso presentes, e o uso de saliva artificial pode aliviar sintomas de boca seca. E não menos importante, existem medicamentos que podem ser indicados para aumentar o apetite.
Por último, mas não menos importante, o acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico, com uma abordagem compassiva especializada no paciente oncológico pode ser muito valiosa. Ansiedade e depressão precisam ser tratadas (se presentes) para aliviar o estresse e angústia do paciente e familiares, atuando positivamente no contexto geral.
Em resumo: Compreendendo que a perda de peso pode ser parte de uma síndrome mais complexa, você vai poder atuar de forma mais eficaz para atenuar esta situação. O importante é que a Equipe Oncológica esteja atenta e empática e forneça tratamentos direcionados para esta situação tão desafiante quanto frequente.
