Quais são os chamados cânceres femininos?
É comum agruparmos neste tema o câncer de mama, ovários e trompas e endométrio (corpo do útero), além do câncer de colo de útero. O câncer de mama pode acometer homens, entretanto é um evento raro. O objetivo desta postagem é trazer alguns dados esclarecedores e usar termos familiares, mas eu gostaria que você observasse na lista de tumores mais frequentes no Brasil que o câncer de intestino e de pulmão são muito prevalentes nas pacientes femininas! Então, naturalmente a saúde da mulher não deve se ater somente a algumas partes do corpo.

Estes são dados do Brasil. No RS a estimativa para 2023 é de 3.720 novos diagnósticos de câncer de mama em 2023. (Dados do INCA)
Dentre os fatores de risco comuns para os cânceres de mama, ovários e endométrio, podemos citar a idade, exposição hormonal prolongada, incluindo menarca (primeira menstruação) precoce e menopausa tardia, a obesidade e o sedentarismo. Algumas mutações genéticas são comuns a estes tumores, podendo estar presentes em vários membros da mesma família, causando cânceres de origem hereditária (ou seja, o filho recebe o gene mutado já na concepção e com isso apresenta risco mais elevado do que a população em geral). As mutações nos genes BRCA-1 e 2 são as mais conhecidas e conferem maior risco aos seus portadores, aumentando as chances de desenvolverem cânceres de mama, ovário, próstata e pâncreas ao longo da vida.
O câncer de mama é a neoplasia mais prevalente em mulheres no Brasil e no mundo. Os números estão em elevação, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A boa notícia é que a mortalidade no mundo está caindo! O diagnóstico precoce é crucial nesta caminhada, e a mamografia é a principal ferramenta para identificar lesões ainda em estágios iniciais. Os tratamentos modernos também são responsáveis por esta melhoria nos índices de cura, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias hormonais, anticorpos monoclonais e demais terapias-alvo, sendo adaptados conforme as características específicas de cada tumor e cada paciente. Dentro do diagnóstico “câncer de mama”, existem doenças com comportamentos muitíssimo diversos – ou seja, câncer de mama não é tudo igual.
Câncer de Ovário
O câncer de ovário, ao contrário do câncer de mama, não tem exames de diagnósitco precoce eficazes. Frequentemente não causa sintomas inicialmente e por estes motivos muitas vezes é diagnosticado em estágios mais avançados. No Brasil, aproximadamente 6 mil novos casos são diagnosticados anualmente. A abordagem terapêutica geralmente envolve cirurgia para remoção do tumor, seguida por quimioterapia, ou quimioterapia, seguida de cirurgia. Em alguns casos, somente o tratamento medicamentoso, quimioterapia entre outros, pode ser utilizado. Especialmente em situações onde há acúmulo expressivo de líquido abdominal (ascite), ou em acometimento disseminado intraabdominal pode ser importante iniciar o tratamento com quimioterapia antes da cirurgia. Atualmente a pesquisa de mutações pode resultar em opções terapêuticas inovadoras.
Câncer do Colo do Útero: Prevenção e Tratamento
O câncer do colo do útero deveria ser muito raro, pois é 100% curável se diagnosticado precocemente, e pode inclusive ser tratado antes de se tornar um câncer. Infelizmente em nosso país e em vários locais no mundo ainda é muito prevalente.
Ele é fortemente associado ao papilomavírus humano (HPV) e já sabemos que pode ser evitado em grande parte pela vacinação contra o HPV na puberdade, e também através do exame de Papanicolaou. O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Os tratamentos mais recentes incluiram medicamentos da classe dos anti-angiogênicos (contra os vasos sanguíneos tumorais) e os imunoterápicos, nos casos mais avançados.
Evitar o câncer de colo de útero está em nosso alcance, através de:
Câncer de Endométrio:
O útero é composto por um revestimento interno, o endométrio, e diferentemente do colo do útero, não é facilmente acessado pelo exame ginecológico. Portanto, o Papanicolaou não é capaz, usualmente, de detectar precocemente o câncer de endométrio. Outra diferença deste tumor com relação ao câncer do colo uterino é que ele costuma acometer mulheres em idades mais avançadas e não tem relação com infecções, como o HPV. Apresenta porém, relação com estímulos hormonais, assim como muitos cânceres de mama e ovário. É mais comum em mulheres na pós-menopausa – aqui vai um alerta: todo e qualquer sangramento vaginal que ocorra após a menopausa deve ser investigado. Este é um sinal que nunca, nunca deve ser ignorado, pois é a chance de um diagnóstico precoce. Cerca de 7 mil novos casos foram registrados em 2021 no Brasil. O diagnóstico geralmente é feito por meio de biópsia endometrial e histeroscopia, onde o ginecologista coleta material de dentro do útero na sua profundidade – diferente do esfregaço do preventivo do colo de útero, e este exame somente é realizado na viigência de sintomas (sangramento, por exemplo). O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, hormonioterapia, dependendo do estágio e da extensão da doença.
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