Tumores Neuroendócrinos

Saiba que eles podem ser originários de diferentes órgãos, pois são caracterizados não pelo órgão de origem, mas sim pelo tipo celular. Surgem de células chamadas neuroendócrinas, e este tipo de célula pode estar em diversos órgãos em nosso corpo. Então temos tumores neuroendócrinos pulmonares, no pâncreas, no intestino, mesmo na próstata ou colo de útero.

Para o oncologista, é fundamental a análise do tecido afetado através dos exames de anátomo-patológico e imunohistoquímica. Desta forma, nós temos a idéia da capacidade de multiplicação (número de mitoses por campo) e proliferação (ki67%) das células tumorais, o que indica se o tumor é de baixo ou alto grau. Esta é a principal diferenciação que precisamos para saber qual o tratamento correto, pois tumores de baixo grau evoluem lentamente, e podem ser tratados com manejo sintomático ou de medicamentos não quimioterápicos, ao contrário dos tumores de alto grau que são altamente proliferativos, e podem se beneficiar de tratamento quimioterápico.

Pacientes que tiveram seus tumores neuroendócrinos de baixo grau totalmente ressecados, são acompanhados através de tomografias ou ressonâncias magnéticas. Esses exames podem ser realizados a cada 3 a 6 meses, por no mínimo 8 anos de seguimento. É importante um seguimento longo, pois podem ocorrer recidivas tardias (retorno da doença após os primeiros anos).

E quais são os sintomas?

Por serem células neuroENDÓCRINAS, pode estar envolvida a ação exagerada de certos hormônios, levando eventualmente ao que chamamos de Síndrome Carcinóide. Os sintomas variam do flushing (calor e rubor em tronco, pescoço e face, de 30 segundos a trinta minutos de duração), coceiras, diarréia, fibrose em válvulas cardíacas, deficiência de vitamina B3 e albumina, além de redução da massa muscular, vasodilatação e broncoespasmo (este último pode ser confundido com asma).

Mais especificamente nos tumores neuroendócrios de pâncreas e pulmão, devido ao aumento da serotonina os sintomas associados podem ser diarréia e deficiência de niacina (vitamina B3), fibrose peritoneal ou valvular cardíaca.

Os tumores neuroendócrinos gástricos podem estar mais associados aos sintomas de de flushing e coceira, por hipersecreção de histamina, calicreína e taquicininas (substância P, neurocinina A, neuropeptídeo K).

Nem todos os tumores neuroendócrinos causam esta síndrome. Entenda, muitos podem ser silenciosos. A ocorrência destes sintomas depende do volume tumoral e produção hormonal associada e pode ser controlada através de medicamentos específicos. E estes medicamentos não são quimioterapia, e permitem controle dos sintomas com grande sucesso.

Foto de Dra. Daniela Lessa

Dra. Daniela Lessa

Oncologista Clínica - Diretora Médica Clínica Oncosinos, Novo Hamburgo

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